Jl 2.28,29 "E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a
carne,e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão
sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e servas,
naqueles dias, derramarei o meu Espírito."
O
Espírito Santo é a terceira pessoa do Deus Eterno, Trino e Uno (ver Mc 1.11
nota; ver estudo A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO). Embora a plenitude do seu poder
não tivesse sido revelada antes do ministério de Jesus (ver o estudo JESUS E O
ESPÍRITO SANTO) e, posteriormente, no Pentecoste (ver At 2), há trechos do AT
que se referem a Ele e à sua obra. Este estudo examina os ensinamentos do AT a
respeito do Espírito Santo.TERMO EMPREGADO. A palavra hebraica para
"Espírito" é ruah que, às vezes, é traduzida por "vento" e
"sopro". Sendo assim, as referências no AT ao sopro de Deus e ao
vento da parte de Deus (e.g., Gn 2.7; Ez 37.9,10,14) também podem referir-se à
obra do Espírito de Deus.
A OBRA DO
ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO. A Bíblia descreve várias atividades do
Espírito Santo no Antigo Testamento.
(1) O
Espírito Santo desempenhou um papel ativo na criação. O segundo versículo da
Bíblia diz que "o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas"
(Gn 1.2), preparando tudo para que a palavra criadora de Deus desse forma ao
mundo. Tanto o Verbo de Deus (i.e., a segunda pessoa da Trindade) quanto o
Espírito de Deus, foram agentes na criação (ver Jó 26.13; Sl 33.6; ver o estudo
A CRIAÇÃO). O Espírito também é o autor da vida. Quando Deus criou Adão, foi
indubitavelmente o seu Espírito quem soprou no homem o fôlego da vida (Gn 2.7;
cf. Jó 27.3). O Espírito Santo continua a dar vida às criaturas de Deus (Jó
33.4; Sl 104.30).
(2) O
Espírito estava ativo na comunicação da mensagem de Deus ao seu povo. Era o
Espírito, por exemplo, quem instruía os israelitas no deserto (Ne 9.20). Quando
os salmistas de Israel compunham seus cânticos, faziam-no mediante o Espírito
do Senhor (2Sm 23.2; cf. At 1.16,20; Hb 3.7-11). Semelhantemente, os profetas
eram inspirados pelo Espírito de Deus a declarar sua palavra ao povo (Nm 11.29;
1Sm 10.5,6,10; 2Cr 20.14; 24.19,20; Ne 9.30; Is 61.1-3; Mq 3.8; Zc 7.12; cf.
2Pe 1.20,21). Ezequiel ensina que os falsos profetas "seguem o seu próprio
espírito" ao invés de andarem segundo o
Espírito
de Deus (Ez 13.2,3). Era possível, entretanto, o Espírito de Deus vir sobre
alguém que não tinha um relacionamento genuíno com Deus para levá-lo a entregar
uma mensagem verdadeira ao povo (ver Nm 24.2 nota).
(3) A
liderança do povo de Deus no AT era fortalecida pelo Espírito do Senhor.
Moisés, por exemplo, estava em tão estreita harmonia com o Espírito de Deus que
compartilhava dos próprios sentimentos de Deus; sofria quando Ele sofria, e
ficava irado contra o pecado quando Ele se irava (ver Êx 33.11 nota; cf. Êx
32.19). Quando Moisés escolheu, em obediência à ordem do Senhor, setenta
anciãos para ajudá-lo a liderar os israelitas, Deus tomou do Espírito que
estava sobre Moisés, e o colocou sobre eles (Nm 11.16,17; ver 11.12 nota).
Semelhantemente, quando Josué foi comissionado para que sucedesse Moisés como
líder, Deus indicou que "o Espírito" (i.e., o Espírito Santo) estava
nele (Nm 27.18 ver nota). O mesmo Espírito veio sobre Gideão (Jz 6.34), Davi
(1Sm 16.13) e Zorobabel (Zc 4.6). Noutras palavras, no AT a maior qualificação
para a liderança era a presença do Espírito de Deus.
(4) O
Espírito de Deus também vinha sobre indivíduos a fim de equipá-los para
serviços especiais. Um exemplo notável, no AT, era José, a quem fora outorgado
o Espírito para capacitá-lo a agir de modo eficaz na casa de Faraó (Gn
41.38-40). Note, também, Bezalel e Ooliabe, aos quais Deus concedeu a plenitude
do seu Espírito para que fizessem o trabalho artístico necessário à construção
do Tabernáculo, e também para ensinarem aos outros (ver Êx 31.1-11; 35.30-35).
A plenitude do Espírito Santo, aqui, não é exatamente a mesma coisa que o
batismo no Espírito Santo no NT (ver o estudo O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO). No
AT, o Espírito Santo vinha sobre uns poucos indivíduos selecionados para
servirem
a Deus de modo especial, e os revestia de poder (ver Êx 31.3 nota). O Espírito
do Senhor veio sobre muitos dos juízes, tais como Otniel (Jz 3.9,10). Gideão
(Jz 6.34), Jefté (Jz 11.29) e Sansão (Jz 14.5,6; 15.14-16). Estes exemplos
revelam o princípio divino que ainda perdura: quando Deus opta por usar
grandemente uma pessoa, o seu Espírito vem sobre ela.
(5)
Havia, ainda, uma consciência no AT de que o Espírito desejava guiar as pessoas
no terreno da retidão. Davi dá testemunho disto em alguns dos seus salmos (Sl
51.10-13; 143.10). O povo de Deus, que seguia o seu próprio caminho ao invés de
ouvir a voz de Deus, recusava-se a seguir o caminho do Espírito (ver Gn 16.2
nota). Os que deixam de viver pelo Espírito de Deus experimentam,
inevitavelmente, alguma forma de castigo divino (ver Nm 14.29 nota; Dt 1.26
nota).
(6) Note
que, nos tempos do AT, o Espírito Santo vinha apenas sobre umas poucas pessoas,
enchendo-as a fim de lhes dar poder para o serviço ou a profecia. Não houve
nenhum derramamento geral do Espírito Santo sobre Israel. O derramamento do
Espírito Santo de forma mais ampla (cf. 2.28,29; At 2.4,16-18) começou no
grande dia de Pentecoste.
A
PROMESSA DO PLENO PODER DO ESPÍRITO SANTO. O AT antegozava a era vindoura do
Espírito, i.e., a era do NT.
(1) Em
várias ocasiões, os profetas falaram a respeito do papel que o Espírito
desempenharia na vida do Messias. Isaías, em especial, caracterizou o Rei
vindouro, o Servo do Senhor, como uma pessoa sobre quem o Espírito de Deus
repousaria de modo especial (ver Is 11.1-4; 42.1; 61.1-3). Quando Jesus leu as
palavras de Isaías 61, em Nazaré, cidade onde morava, terminou dizendo:
"Hoje, se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos" (Lc 4.21).
(2) Outras profecias do AT anteviam o período do derramamento geral do
Espírito Santo sobre a totalidade do povo de Deus. Entre esses textos, o de
maior destaque é 2.28,29, citado por Pedro no dia de Pentecoste (At 2.17,18).
Mas a mesma mensagem também se acha em Is 32.15-17; 44.3-5; 59.20,21; Ez
11.19,20; 36.26,27; 37.14; 39.29. Deus prometeu que, quando a vida e o poder do
seu Espírito viessem sobre o seu povo, os seus seriam capacitados a profetizar,
ver visões, ter sonhos proféticos, viver uma vida em santidade e retidão, e a
testemunhar com grande poder. Por conseguinte, os profetas do AT previram a era
messiânica. E, a respeito dela, profetizaram que o derramamento e a plenitude
do Espírito Santo viriam sobre toda a humanidade. E foi o que aconteceu no
domingo do Pentecoste (dez dias depois de Jesus ter subido ao céu), com uma
subseqüente gigantesca colheita de almas (cf. 2.28,32;At 2.41; 4.4;
13,44,48,49).
Estudo retirado da "Bíblia de Estudo Pentecostal" da editora "CPAD"

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